Romano Prodi, sobre Matteo Zuppi: “Amigo e autoridade espiritual, escolha certa para a renovação”

Matteo Zuppi. (Foto: Francesco Pierantoni | Flickr CC)

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26 Mai 2022

 

“É inútil que eu esconda minha felicidade por essa nomeação, me entristece apenas por um motivo: não gostaria que Matteo Zuppi abandonasse em parte Bolonha. Mas entendi que ele consegue manter as duas coisas e por isso estou feliz porque dará um bom impulso ao mundo católico italiano”. Romano Prodi festejou ontem a nomeação como chefe da CEI daquele que considera "um amigo". Entre o cardeal Zuppi e o professor há um entendimento que vai além dos papéis e do protocolo. Nas pequenas como nas grandes coisas.

 

Quando Prodi lançou em 2019 a ideia de exibir a bandeira da Europa nas janelas no dia de São Bento, Zuppi relançou: “E a colocaria todos os dias”. Juntos, poucos meses atrás, eles lamentaram o falecimento de David Sassoli, ex-presidente do Parlamento Europeu. Juntos, refletem sobre o futuro dos católicos.

 

A entrevista com Romano Prodi é de Eleonora Capelli, publicada por La Repubblica, 25-05-2022. A tradução é de Luisa Rabolini.

 

Eis a entrevista.

 

Que valor tem para um católico como você a escolha de Zuppi à frente da Conferência Episcopal Italiana?

 

Esta nomeação chega num momento em que as Igrejas nacionais são chamadas a contribuir para a renovação da Igreja.

 

O que se espera da Igreja italiana neste momento, do seu ponto de vista?

 

Espera-se que a Igreja italiana tenha uma forte capacidade de liderança e atração, como teve em algum momento passado. Estou feliz porque acredito que Zuppi é capaz de fazer isso.

 

Você acha que ele é a pessoa certa no momento certo?

 

Atrapalha-me um pouco aquela amizade respeitosa que se deve a um homem de religião, mas acredito que ele é a pessoa certa. Se o momento é o certo eu não sei (o professor sorri, pensando nas tantas dificuldades do momento, ndr).

 

Muitas vezes em Bolonha você e Zuppi participam juntos de momentos importantes. Pode-se falar de amizade?

 

Sou profundamente amigo do Zuppi, mas o conceito de amizade neste caso varia e funde-se com o papel que Zuppi desempenha. Há naturalidade e consideração, mas a certa altura você tem que parar como se estivesse "na soleira". É um sentimento que deve ser expresso e modificado no respeito que se deve a uma autoridade espiritual. Mas pode-se falar perfeitamente de amizade no nosso caso.

 

Um vínculo profundo une vocês, juntos também se encontraram inclusive para chorar a morte de David Sassoli, em 11 de janeiro passado. O apego a Zuppi é um sentimento compartilhado em Bolonha?

 

Todas as pessoas que encontrei na rua hoje me perguntaram: 'É verdade que Zuppi vai embora?' Claro que isso está ligado ao fato de que muitos não estão cientes do papel da CEI e do empenho do Presidente da Conferência, então pude responder a todos: ‘Não, não é verdade’. Contudo, é um sinal.

 

O que representa esse temor instintivo de perder as atenções do Cardeal?

 

Um vínculo muito profundo. Zuppi teve uma presença tão forte na cidade nos últimos anos que, para quem desconhece o papel e a compatibilidade do novo cargo com o anterior, a única preocupação é que ele vá embora. Isso mostra a relação muito próxima que ele construiu com a cidade.

 

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